VEDA

Pois é, queria deixar registrado aqui que desde o ano passado eu estava com vontade de fazer um VEDA (Vlog Every Day April). Mas não fiz pelos seguintes motivos:
 1- Eu esqueci.
Na realidade eu queria fazer para deixar gravado mesmo, provavelmente postaria no YouTube mas não divulgaria.
Eu gostaria de começar atrasada, mas já estamos no dia 12, então não achei válido.
Só pra deixar registrado que ano que vem eu farei o VEDA.

2 anos.

Você vem andando em minha direção bagunçando seu cabelo e ajeitando os óculos. Eu estou com meus amigos e xingo, você faz uma cara de assustado pra me encantar. E por incrível que pareça, funciona. Ali surge o primeiro real amor da selva de pedra que estava instalada em mim. Naquele "eu encostei na mão dela" quando você me pediu a borracha (ou foi o apontador?) eu comecei a te achar maluco, pois é. O Muro de Berlim ia esfarelando como quando se come uma bolacha aos poucos. Eu ia achando cada vez mais estranho ter um sentimento de posse sobre algo que não é meu, juro que eu achava o amor coisa de garota escrota e babaca. E aí, num tal dia 28 de fevereiro de 2011 "eu te agarrei". Quase vomitei de tantas borboletas no estômago. Eu realmente não estava acreditando que essa merda de amor (que eu pensava ser paixão na época) tinha acontecido comigo. Alguns dias depois começamos a conversar sobre casais idosos. Quando eu dei a ideia do passeio de velho você abriu um dos sorrisos mais lindos que você já me deu. "E o que faremos até ficar idosos?" "Eu não sei, a gente vê". E os dias passaram, passaram... E você me levou pra sair  e encontrar seus amigos. Chegamos lá, rodamos o shopping umas 333 vezes, e fomos embora. E eu com medo de que minha madrasta visse nós quase a meia-noite andando por Campo Grande. Pegamos o ônibus e você começou a falar coisas bonitas como "você vai ficar feliz essa noite por comprar pele", "eu não vou ficar feliz se eu não souber", "você quer namorar comigo?". E eu enterrei a minha cabeça em seu peito e fiz que sim com ela. Nunca consigo expressar o que sinto na hora. Eu tinha muita vergonha pra isso. Chegamos em casa e você ainda falou "é verdade mesmo que estamos namorando?". É óbvio que sim, não é possível que você não tenha percebido o brilho nos meus olhos. Porque meus olhos realmente brilham, não é apenas uma expressão. E os dias foram passando... Ganhei uma lhama, ganhei você, ganhei sua amizade, ganhei o seu amor. E aí veio o seu "eu te amo". Eu respondi com um "eu não sei o que sinto por você" cheio de eu te amo nas entrelinhas. Eu só não compreendi. Era tudo tão novo, tão intenso. Cada dia eu queria mais de você. Podia ser chato sermos da mesma turma, mas eu só queria ficar perto de você. Vieram muitas brigas, discussões... Você se lembra de quantas vezes quis terminar comigo? Mas eu não deixei acontecer. Eu não conseguiria deixar que acontecesse. Eu necessito muito mais de você do que você de mim. Sabe, nesse meio tempo a magia do início se perdeu um pouco. Mas ela volta nas madrugadas que passamos conversando ao invés de dormir. Ela volta quando fazemos o nosso "pula pula" ou damos um "upão". Ela volta quando fazemos o "puf". Ela volta quando você diz que me ama ao pé do ouvido. Ela volta quando você reclama do meu cabelo na sua cara. Ela volta a cada vez que nos amamos. Ela volta quando eu olho pra você todos os dias na escola. Queria te convidar pra sentar naquela árvore algum dia. Queria também que ficássemos um pouco mais de tempo no ponto de ônibus, até eu ficar com frio nas pernas e elas começarem a tremer. Queria te convidar a me dar um daqueles sorrisos perfeitos como no dia do passeio de velho. Queria te convidar a ficar comigo pra além do sempre. Ramon, aceita se casar comigo?

Ouvindo Capital Inicial - Depois da Meia-Noite

Covardia

Já passou das duas e eu estou completamente bêbada. Você provavelmente já está dormindo, mas decidi lançar um sinal de fumaça depois de todos esses anos. Será que seu número é o mesmo? Nós nos amávamos tanto no colegial... Resolvi te ligar. Ligar não, mandar um sms - pensei. Não vou atrapalhar seu sono angelical. Mandei o sms sem esperar retorno, provavelmente você iria achar que era mensagem da operadora. Mas não. Você respondeu a mensagem no mesmo momento, dizendo que havia tomado um remédio para dormir -então você também sofre de insônia, meu bom rapaz?- e que deveríamos conversar. Concordo, colocar um ponto final no lugar de reticências seria um bom começo. Prometi ligar no dia seguinte para combinarmos algo, um jantar talvez. 

Eu ia ligar para a sua casa e sua mãe ia atender e não mais reconhecer minha voz. Eu diria que fui a única menina a frequentar sua casa no colegial, e que fui ao baile com você. Provavelmente ela ia lembrar meu nome, anunciar a todos da casa e fazer uma piada boba. Você iria sugerir que fôssemos para algum lugar, para o Flamengo talvez. Eu lembro como você sempre gostou de ir lá.
Pois é, mas sou covarde. Peguei o telefone dezenas de vezes, mas chamava uma vez e eu desligava. E outra vez você se decepcionou comigo, ficou esperando minha ligação o dia todo e nada. Você provavelmente ouviu e reouviu todas as mensagens da secretária eletrônica. Me desculpe, mas minha covardia é predominante sobre a minha felicidade.

Doce Tortura


Gritei. De novo. Gritei ainda mais alto. Ecoou em volta, ecoou por dentro. Ecoou nas paredes do meu quarto solitário. Eu gritei. De dor. Você se matou e sim, eu já pretendi fazer o mesmo. Mas é, eu não fiz. E agora eu grito solitária em meu quarto. Esquizofrenia, eles disseram, mas eu ainda te vejo pelos cantos. Por isso não me matei. Eu já estou morrendo aos poucos, e você sabe disso. Mesmo morto, você vê isso. Você me acompanha, eu sei. E eu gosto da sua companhia.

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